Estava sentado no sofá na sala da casa de Ronnie, pensava em enquanto estava feliz por poder passar mais um ano com sua amada.
Também se lembrava da primeira vez que esteve ali, há mais de três anos, no meio do ano antes do início das aulas na Columbia.
No mesmo ano, o pai de Ronnie havia falecido de um câncer de estomago, sua irmã se casado e desde que se mudou para Nova York estava morando na casa dos noivos.
Esperava Ronnie para mais um dos seus típicos passeios turísticos do final de semana, hoje talvez visitem a Estatua da Liberdade e dêem um passeio de barco pela baía de Manhattan.
Encostou a cabeça na parede ainda pensando no que faria quando a viu entrar pela porta. Estava linda.
Camiseta regata, um short jeans curto e uma rasteirinha dourada. O cabelo preso ao alto deixava bem a mostra o seu rosto, que deixava ainda mais bonito e encantador o seu sorriso.
Fotografaram todos os ângulos da Estatua da Liberdade e depois atravessaram a ponte do Brooklyn conversando sobre a comemoração dos cem anos da independência e do presente da França aos Estados Unidos.
No meio do caminho pararam em uma lanchonete para comprar um suco. Com o copo na mão, Ronnie apoiou-se no cercado e ficou um tempo observando o porto e admirando os navios.
-Isso tudo é lindo, não é? Há anos que venho aqui e o lugar parece sempre mudar, todos os dias. Mas depois que meu pai foi embora isso aqui nunca mais foi o mesmo. Pra mim passou a ser um simples local para turistas.
Will abaixou a cabeça, colocou o braço em volta dos ombros dela e parou para ouvi-la.
-Depois que pude “encontrá-lo” novamente e depois de você ter vindo pra cá, cada cantinho de Nova York voltou a ter valor - fez uma pausa, olhou para Will, ele estava atento – Principalmente agora que esses lugares viraram meu modo de vida. Você não vai dizer nada?
-Hãn, bom. Acho que você deveria fotografar o pôr-do-sol da baía de Manhattan, o rio Hudson, as luzes nos arranhas céus lá no fundo- conforme ia dizendo apontava para os lugares – a ponte do Brooklyn e o Soho.
Ela riu, ele também. Depois os dois terminaram de percorrer o caminho e se posicionaram num lugar que os permitia ter uma vista completa da ponte, do horizonte e do pôr-do-sol se formando ao longe.
Ela tirou as fotos, se esforçando para que as fotografias ficassem perfeitas.
Depois que entrou para Julliard precisou de um meio de se manter, ganhou a bolsa, portanto não precisava pagar a faculdade, mas sair todas as semanas com Will iria custar caro e não podia deixar que ele pagasse todos os passeios e nem podia ficar pedindo dinheiro para sua mãe todo final de semana. Resolveu então, procurar um emprego. Encontrou uma vaga como fotografa de um guia turístico, cada foto da cidade seria vendida por um ótimo preço.
-Quer tomar um sorvete?
Ronnie estava atenta e não o ouviu falando. Ele parou aguardando por uma resposta, só daí ela percebeu que ele estava esperando por algo.
-Hã? Falou alguma coisa?
-Perguntei – disse dando risadas – se você quer tomar um sorvete.
-Quero sim! Pode ser de baunilha com cobertura de chocolate e você? Quer do que?
-Acho que quero o mesmo.
-O mesmo? Você não gosta de cobertura de chocolate.
-É mesmo. Então pode ser de morango.
Will pagou pelas casquinhas e os dois caminharam até o Greenwich Village.
Ronnie se distraiu com as casas daquele bairro que nem percebeu quando derramou sorvete em sua camiseta. Will riu e tratou de alertá-la
-ãã, Ronnie. Você deixou cair sorvete em sua camiseta.
Ela olhou.
-Que raiva! Tirei do varal hoje de manhã.
Riram juntos da situação.
-Sabe, quando eu era pequena aconteceu à mesma coisa quando vim aqui pela primeira vez, com meu pai.
Ela ficou quieta, pareceu pensativa. Percebendo que a lembrança do pai podia magoa-a, Will prolongou a conversa
-Mas aposto que a programação não foi exatamente à mesma.
-Como assim?
-Tenho certeza de que ele não fez o mesmo que eu.
-O que você fez?
-Não fiz, ainda.
Quando Ronnie levantou a cabeça, foi surpreendida. Will diminuiu a distancia entre eles, abriu a mão em suas costas e a puxou para mais perto de si.
Quando seus corpos se encontraram pode sentir o gelo do sorvete da camiseta dela, sujando a sua. Mesmo assim, não interrompeu a sua intenção.
Fixou os olhos nos de Ronnie, pegou em seu rosto e depois a beijou.
-Você tem razão, não tem comparação.
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