O celular despertou no criado, era hora de levantar. Não queria se atrasar. Travou o despertador e puxou a toalha. Refez o percurso da chave na fechadura e se dirigiu ao banheiro, quando foi entrar percebeu que o cômodo estava trancado. Bateu a porta.
-Jonah eu preciso tomar banho
-Ah, você acordou! Agora espera.
-Eu vou me atrasar, Jonah!
Quando foi responder a campainha tocou.
-Atende lá, deve ser pra mim!
Era Brian á porta. Kim atendeu e ele entrou.
-Oi meu amor, o que está fazendo aqui?
-Oi Kim, bom dia! Vim levar as crianças á escola.
Depois que respondeu a pergunta de sua amada, ouviu uma gritaria ao longe. A voz era feminina. Provavelmente a de Ronnie
-Jonah, eu vou me atrasar.
-Calma Ronnie ele já está saindo – Brian tentou acalmá-la
-Já ta mais que na hora, ele está lá dentro há vinte minutos!
-Vinte minutos? Jonah as garotas não gostam de tanta vaidade.
Todos riram.
-Não se preocupe Ronnie – ele abriu a porta e levantou os braços – Já sai!
Ela tomou seu banho e se trocou rapidamente. Tinha um teste em uma hora e não queria se atrasar, principalmente porque o caminho era longo.
Foi para cozinha se despedir, todos estava à mesa.
-Tchau, mãe. Tchau, Jonah. Brian.
-Deixe que eu te leve hoje, querida- o padrasto tentou ser gentil
-Não precisa obrigada. E por favor, para de me chamar de querida. Meu pai me chamava assim e só ele, tudo bem?
-Sim claro! – ele levantou os braços como se fosse inocente – nada de querida, entendi!
Antes que pudesse ignorar o pedido de inocência, a mãe se intrometeu na conversa
-Ronnie deixe de ser ingrata, peça desculpas e aceite a carona.
-Mãe!
O olhar de sua mãe a deixou sem ter o que fazer. Sabia que se não fizesse o que ela estava mandando seria bem pior.
-Tudo bem. Mas temos de ir agora!
Brian e Jonah se levantaram.
-Sem problemas. Vamos filhão!
Deixaram Jonah na escola. Assim que ele saiu, Ronnie pulou para o banco da frente.
-Pega aquela rua, é mais rápido.
-Sim claro!
Ficaram um pouco em silencio, até que Brian tomou coragem para falar
-Ronnie posso te fazer uma pergunta?
-Pode tentar. Mas se eu achar inconveniente não irei responder.
-Você acha que seu irmão precisa de alguma coisa.
-Acho – também achava que ali havia coisa- Mas seja o que for não é de um pai, porque ele tem a mim.
Ele concordou com a cabeça.
-Você dormiu bem hoje?
-Já foram duas perguntas. Mas não, eu não dormi bem essa noite. Por quê?
-Jonah disse que viu, digo... Que escutou você se remexer na cama.
-Sim, mas isso não interessa para você.
Ele parou em frente à faculdade.
-Me desculpe, só estava tentando...
Ronnie saiu do carro.
-Sei o que você está tentando fazer. Só uma dica: para com isso, porque você não vai conseguir.
Bateu a porta do carro e pegou o celular. E enviou uma mensagem de texto para Will:
“Me liga assim que puder. Preciso falar com você. Urgente”
Dirigiu-se até a sala de apresentações, se sentou em umas das cadeiras. Ao som da musica que outro aluno apresentara, ela parou e pensou no que seu pai faria diante daquela situação. Estava muito preocupada com Jonah.
Pouco depois, ouviu o professor chamar pelo seu nome:
-Verônica Miller
Ela se levantou, deixou a mochila no assento e se dirigiu ao palco. Sentou-se atrás do piano e começou a tocar uma das peças tocadas por ela no Carnegie Hall aos seis anos.
Depois da apresentação, escolheu um restaurante simples para almoçar. Estava observando o cardápio, quando Will ligou.
-Ronnie? Você queria falar comigo?
-Quero sim, mas prefiro que conversemos pessoalmente a história é grande. Onde você está?
-Acabei de sair da Columbia, parei para almoçar. E você?
Ela o avistou entrando no local
-Um pouco à frente.
-Como?
-Duas mesas á sua frente.
Will olhou para o lado e avistou-a. Acenou e foi de encontro com ela.
-Não sabia que você comia em um lugar como esse.
-Os ricos são os meus pais, eu não. Então, sobre o que você quer conversar?
Eles se sentaram e ela prosseguiu.
-É sobre o Jonah, ele anda muito estranho. Na noite de ontem, fui ate o quarto dele e percebi certa movimentação. Escondiam algo na cômoda.
-O que era?
-Não sei. Tentei perguntar disfarçadamente, mas ele não contou nada, nem uma dica.
-O que você acha que pode ser?
-Não tenho nem idéia, mas tenho muito medo. Seja o que for ele ficou preocupado com o fato de eu ter entrado no quarto de surpresa.
-Por quê?
O garçom se aproximou.
-Posso anotar o pedido?
-Uma soda. Arroz, salada e maionese.
-Outra soda e qualquer prato que tenha frango.
Assim que ele se afastou, Ronnie respondeu a pergunta de Will.
-Escutei uma movimentação de madrugada. Quando me levantei, ouvi Jonah ao telefone chamando a pessoa na linha de pai
-Você acha que era o Brian?
-Não sei, mas já pensei na possibilidade.
-Ou seu irmão é maluco e entra em contato com o alem através do telefone da sala.
Eles riram.
-Sem graça, isso é serio. Estou preocupada.
-Sei que você está, mas não deve ser nada. Apenas um mal entendido. Agora, mudando de assunto. O que você vai fazer no feriado?
-Ainda não tenho programação, mas quero sair da rotina. Fiz um teste hoje e ficarei perturbada por um bom tempo se ficar em casa.
-Quer ir pra praia comigo?
-Pra praia? Você vai pra casa de seus pais?
-Não. Rio de Janeiro. Minha irmã e o marido vão para lá e não quero ficar sozinho.
-Pensando bem, pode ser legal. Vocês vão quando?
-Na sexta-feira, assim que as suas aulas terminarem. Ás três, não é?
-Ás três.
O garçom retornou, trazendo o pedido. Almoçaram em silencio, não tocaram mais no assunto.
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