terça-feira, 31 de julho de 2012

Prólogo: Ronnie

Pensava constantemente em Will, obviamente.
A maior parte do tempo revivia as lembranças do verão que haviam passado juntos em vez do breve encontro que tiveram por ultimo na igreja. Não tinha notícias dele desde o funeral, e, depois que o Natal passou, começou a perder a esperança de que telefonaria de fato. Ela se lembrado de ele ter dito algo sobre passar as férias na Europa, mas cada dia que passava sem suas noticias, vacilava entre a certeza de ainda amá-lo e a falta de esperança de a situação se resolver. Talvez fosse melhor que ele não telefonasse, disse a si mesma, pois o que havia para ser dito?
Deu um sorriso triste, tentando tirar aqueles pensamentos de sua mente. Tinha trabalho a fazer, e, conforme voltava à atenção para o seu mais novo projeto, uma música com tendências pop e country, lembrou a si mesma de que estava na hora de olhar para frente e não para trás. Podia ser aceita em Julliard ou não, embora o diretor tenha dito que a sua candidatura parecia “muito promissória”. Não importa o que acontecesse, sabia que o seu futuro estava na musica, e, de uma forma ou de outra, encontraria o caminho de volta a essa paixão.
Em cima do piano, seu telefone começou a vibrar. Ao pegá-lo supôs que fosse sua mãe, até olhar para a tela ficou paralisada ao olhar novamente enquanto ele vibrava. Respirou fundo, levantou a tampa e levou-o até o ouvido.
-Alô?
-Oi – disse uma voz familiar- É o Will.
Ela tentou imaginar de onde ele poderia estar ligando. Parecia haver um eco atrás dele, similar a um aeroporto.
-Você acabou de sair do avião? –ela perguntou
-Não. Voltei há alguns dias. Por quê?
-Estou escutando um som estranho – disse, sentindo eu coração apertar só um pouquinho. Ele havia chegado há alguns dias, mas só agora tinha ligado- E como foi na Europa?
-Foi muito bom, na verdade. Minha mãe e eu estamos nos dando bem melhor do que eu esperava. Como vai o Jonah?
-Ele está bem. Está melhor... Ainda é difícil.
-Sinto muito – ele disse, e ela ouviu o eco novamente. Talvez estivesse na varanda de sua casa – O que mais você tem feito?
-Eu fiz uma audição eu Julliard, e acho que fui muito bem...
-Eu sei.
-Como você sabe?
-E por que mais você estaria aí?
Ela tentou entender sua resposta.
-Bem, não... É que eles me deixam estudar aqui até o piano do meu pai chegar, por causa da historia do meu pai com Julliard e tudo o mais. O diretor era muito amigo dele.
-Espero que você não esteja tão ocupada estudando que não possa tirar uma folga.
-Do que você está falando?
-Espero que você esteja livre nesse fim de semana para sair comigo. Quer dizer, se não tiver outros planos.
Sentiu seu coração sair pela boca.
-Você vai vir para Nova York?
-Vou ficar com Megan. Sabe como é, ver como andam os recém-casados.
-Quando você vai chegar?
-Vejamos... – dava quase para vê-lo olhar no relógio – Aterrissei a pouco mais de uma hora.
-Você está aqui? Onde você está?
Demorou um pouco para ele responder, quando ela ouviu sua voz de novo, percebeu que não vinha do telefone. Vinha por detrás dela. Virou-se e o viu parado na porta com o telefone na mão.
-Desculpe. Não pude resistir.
Mesmo sabendo que ele estava ali, não conseguia acreditar no que via. Fechou os olhos e os abriu novamente.
Sim, ele ainda estava lá. Impressionante.
-Por que você não me avisou que estava vindo?
-Por que eu queria fazer uma surpresa.
E fez mesmo, era tudo que conseguia pensar. Usando jeans e uma blusa de lã com decote V, ele estava mais bonito do que ela se lembrava.
-Além do mais, a algo importante que quero dizer para você.
-O que é?
-Antes de responder, quero saber se o encontro está de pé.
-Que encontro?
-Neste final de semana, lembra? Está de pé?
Ela sorriu.
-Sim está de pé.
Ele concordou com a cabeça.
-E no outro fim de semana?
Pela primeira vez, ela hesitou:
-Quanto tempo você vai ficar?
Ele começou a aproximar-se dela lentamente:
-Bem... Era sobre isso que eu queria falar com você. Lembra-se de quando eu falei para você que minha primeira opção não era Vanderbilt? Que eu queria mesmo era ir para essa outra faculdade que tinha um programa de ciências ambientais incríveis? Então, quando eu estava na Europa, descobri que eles aceitam transferência no meio do ano. Começo a estudar lá no próximo semestre, imaginei que você ia querer saber.
- Bem... Que bom! – disse hesitante- Para onde você vai?
-Columbia.
Por um instante, ela não estava certa se havia entendido direito.
- Você está falando da Columbia de Nova York?
-Essa mesmo.
-Sério? – quase gritou ao falar.
-Começo em algumas semanas. Dá pra imaginar? Um típico rapaz do Sul como eu perdido na cidade grande? Provavelmente vou precisar de alguém que me ajude a me adaptar à cidade, e tinha esperanças de que esse alguém fosse você, se você não se importar.
Ele já estava perto o suficiente para pegar na calça dela. Quando a trouxe para perto, ela sentiu tudo ao seu redor desmoronar. Will ia estudar lá. Em Nova York. Com ela.
E, com isso, ela o abraçou, sentindo o corpo dele encaixar-se perfeitamente ao seu, sabendo que não havia nada a fazer para tornar aquele momento melhor do que estava.
-Por mim, tudo bem. Mas não vai ser nada fácil para você. Não há pesca nem lama por aqui.
Os braços dele deslizavam por sua cintura.
-Já imaginava.
-E nem muito vôlei de praia. Principalmente em janeiro.
- Acho que vou ter que fazer alguns sacrifícios.
-Talvez, se tiver sorte, podemos pensar em outras maneiras de ocupar seu tempo livre.
Inclinando-se, ele a beijou delicadamente, primeiro no rosto, depois nos lábios. Quando seus olhares se encontraram, ela viu o jovem que tinha amado no verão passado e que ainda amava.
-Eu nunca deixei de te amar, Ronnie. E nunca deixei de pensar em você. Mesmo que o verão tenha acabado.
-Eu também te amo, Will Blakelee – ela sussurrou, inclinando-se para beijá-lo novamente.

Um comentário:

  1. Ain qui lindoo *-* Amei esse prólogo My *----* Vou acompanhar a história com toda certeza ^^

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